A Evolução na Coloração dos Vinhos Tintos

A degustação de um bom vinho tinto está assente numa mistura de paladares, aromas e cores que o levará a uma experiência única.

Ao longo do seu percurso, o vinho tinto sofre imensas transformações químicas que condicionam a forma como se apresenta. Essas transformações levam a alterações de cor e sabor que podem facilmente indicar não só as alterações das suas características, mas também revelam a sua antiguidade.

Qual o mais jovem?

De uma forma geral, a variação de cor nos vinhos tintos é indicativa da sua antiguidade. Assim, uma exuberante cor violeta denuncia um vinho jovem, enquanto que a antiguidade é revelada por uma cor telha alaranjada.

Quanto mais jovem for um vinho tinto, mais a sua cor é opaca e rica. Por comparação, um vinho tinto mais envelhecido tende a perder a opacidade e a modificar ao longo do tempo a sua inicial cor púrpura, para um tom mais avermelhado.

O processo de transformação

São imensas as alterações químicas envolvidas no processo de evolução da cor de um vinho tinto. Ao longo do seu percurso, estas alterações vão provocar alterações de cor e sabor, características e reveladoras da sua antiguidade.

O vinho é um composto que pela sua natureza instável, vai sofrendo constantes alterações ao longo do tempo. Os processos fenólicos iniciais, vão dar lugar a outras a alterações que vão resultar em diferentes experiências sensoriais, visuais, aromáticas e de paladar.

O que pode fazer variar a cor do vinho tinto?

Embora as alterações de cor possam ser evidentes em alguns vinhos e demonstrem claramente a sua juventude ou antiguidade, também é verdade que existem muitos outros fatores que influenciam a cor de um vinho tinto. Estes são os mais comuns:

  • Tipo de uvas: o tipo de uvas utilizadas para a elaboração do vinho tinto podem influenciar a sua cor inicial e alterar substancialmente a cor ao longo do envelhecimento. Antes de tirar conclusões precipitadas, deve saber-se exatamente a composição do vinho;
  • Temperatura: a exposição a temperaturas demasiado elevadas ou demasiado baixas pode condicionar a cor de um vinho, acelerando ou mantendo as suas variações de tonalidade;
  • Estado de conservação: a forma como o vinho tinto é conservado pode claramente influenciar não só a sua cor, como inclusivamente a sua longevidade;
  • Equilíbrio entre taninos e antocianinas: – a proporção entre estes dois componentes pode determinar uma cor mais ou menos intensa. Sendo que os taninos são tidos como sendo grandemente responsáveis pela cor, a sua presença vai influenciar a riqueza da mesma;
  • Oxigenação: – se não for exposto ao ar, a cor de um vinho tinto tende a estabilizar ou mesmo a diminuir de intensidade. Ao contrário, se for exposta, a intensidade da cor poderá aumentar. Este é um processo que deve ser efetuado com bastante cuidado, pois a oxigenação excessiva poderá resultar na oxidação do vinho.

Na Fernão Pó tem ao seu dispor experiências de Enoturismo, nas quais poderá efetuar provas de vinhos, comprovando por si as diferentes alterações de cor de Vinhos Tintos.

Como escolher o vinho para um jantar especial

Um jantar especial é um evento que pode ficar na memória por muitos e longos anos e convém que seja especial pelos melhores motivos. A decoração, a música, o tom de luz e a refeição certas são pormenores muito importantes, tal como o é a escolha do vinho.

Vinho espumante? Branco ou tinto? Se não sabe como escolher o vinho certo para a ocasião certa, podemos dar uma ajuda, para que os seus jantares sejam perfeitos.

Pedir opinião

Antes de se aventurar neste mundo imenso de cores e sabores, peça uma opinião a quem sabe. Quer nas lojas de especialidade, ou em grandes superfícies, vai encontrar pessoas que o podem ajudar e que, de acordo com a situação o podem aconselhar da melhor forma.

Ter um orçamento

Ter mais ou menos uma ideia do valor que pretende gastar, pode ajudar na sua escolha e também permite que não tenha a tentação de comprar vários vinhos para experimentar. Estabeleça um orçamento e decida dentro desse valor.

Não se foque apenas no preço

Porque muitas vezes ser mais caro não é sinónimo de maior qualidade; este deve ser apenas mais um indicador e não deve determinar a compra. Basta lembrar-se de que existem inúmeros vinhos premiados e com valores bastante acessíveis.

Leitura de rótulos

Esta leitura é muito importante, pois permite retirar algumas conclusões importantes. Os fatores aos quais deve estar mais atento são: a região de proveniência, a antiguidade, a variedade e o volume de álcool.

Dentro destes fatores vai poder retirar algumas conclusões que podem ser úteis. 

Vinhos de colheitas anteriores e de regiões mais específicas, podem indicar vinhos de maior qualidade. O tipo de uvas que foram utilizadas para fazer o vinho também são um indicador que pode ajudar, pois poderá perceber o tipo de combinações que resultam melhor para o seu paladar e para escolhas futuras. 

Quanto ao volume de álcool, por si só é um indicador de uvas mais maduras e sabores mais intensos.

Ter mais do que uma opção

Se tem muitas dúvidas de ter escolhido o vinho certo, pode recorrer a mais do que um para poder optar em caso de ser necessário. Uma possibilidade será servir um vinho branco mais leve, para as entradas, e um vinho tinto para acompanhar a refeição principal.

Escolher com base no prato principal da refeição

O vinho certo a acompanhar uma refeição pode tornar-se numa experiência inesquecível. Assim, determinados pratos podem tornar-se mais saborosos se forem acompanhados com um vinho específico. Por regra, pratos com sabores mais fortes, pedem vinhos mais encorpados, enquanto refeições com sabores menos intensos podem ser acompanhadas por vinhos mais leves.

Optar por produtos nacionais

Portugal está repleto de magníficos vinhos que são vendidos e que ganham prémios em todo o mundo. Os vinhos portugueses são reconhecidos no estrangeiro, onde são muito apreciados e valorizados. Ao comprar um vinho português está certamente a tomar uma boa decisão.

Muitas vezes a combinação perfeita está apenas no seu gosto pessoal e é muito importante descobrir qual é. Na Fernão Pó poderá escolher um vinho ideal para cada situação. Dispomos de diversos Eventos de Enoturismo onde pode disfrutar de uma prova de vinhos e conhecer melhor os vinhos da região.

Tenha experiências únicas e saboreie a genuína tradição. Na Fernão Pó sinta-se em casa, recebido por uma família dedicada ao vinho.

Decantar o Vinho

O vinho faz parte da vida, cultura e dieta dos europeus, existindo referências que indicam que a primeira produção de vinho ocorreu à aproximadamente 6500 anos nas atuais Bulgária e Grécia.

É muito mais do que uma simples bebida, é um símbolo cultural duradouro da vida europeia e Portuguesa em particular.

Trazido pelos Fenícios, Cartagineses, Gregos e principalmente Romanos, os vinhos Portugueses, são o resultado de uma sucessão de tradições que cada civilização acrescentou  à história da Península Ibérica e em particular a Portugal.

Ao longo dos tempos o papel do vinho foi evoluído, passando de uma importante fonte nutritiva para um complemento cultural da comida e do convívio, compatível com um estilo de vida particular e saudável.

Também a arte da viticultura foi evoluindo, mas as tradições com ênfase nas origens, na terra, na herança e viticultura foram sendo cada vez mais valorizadas.

Mas o vinho tende a estar associado à gastronomia, à história, aos produtos locais de qualidade e aos ambientes sociais dignos.

Sendo o vinho tudo isto e muito mais, existe uma cerimónia que se realiza antes de se servir um verdadeiro e irresistível “néctar dos deuses” – chama-se decantar o vinho.

O QUE É DECANTAR O VINHO?

O ato de decantar o vinho é a passagem do vinho da sua garrafa original para um recipiente (de cristal ou vidro), designado por decanter ou decantador.

Normalmente, a decantação do vinho é feita exclusivamente em vinhos tintos, beneficiando-os de duas formas:

  1. Elimina as borras que se acumularam, em especial nos vinhos velhos que estão engarrafados há vários anos;
  2. Permite que o vinho “respire”, melhorando a sua oxigenação, permitindo uma total libertação dos aromas contidos numa garrafa, contribuindo positivamente para o seu paladar.

Com um acessório muito próprio, é feito por três importantes motivos, um dos quais, potenciar a sua degustação!

VINHO TINTO JOVEM

O processo de decantação do vinho varia conforme se é mais velho ou mais jovem.

Nos vinhos mais jovens, a decantação suaviza os taninos presentes no vinho, que normalmente são ásperos, secos e adstringentes.

Por norma, estes vinhos têm um nível de acidez alto, dado que não tiveram tempo de amadurecer.

 DECANTAR VINHO TINTO JOVEM

    1. Deverá verter o conteúdo da garrafa no decantador num gesto único contínuo;
    2. O processo de decantação deverá ser efetuado cerca de uma a duas horas antes do vinho ser servido;
    3. Coloque a garrafa original vazia ao lado do decantador, de forma a que se possa identificar o vinho.

DECANTAR VINHO TINTO VELHO

    1. Um ou dois dias antes de consumir o vinho tinto velho, deverá colocar a garrafa numa posição vertical, de forma a que os depósitos se concentrem no fundo;
    2. O processo de decantação deverá ser efetuado cerca de meia hora antes do vinho ser servido, na medida em que acelera a evaporação dos aromas;
    3. Após a abertura da garrafa, limpe o gargalo retirando os resíduos e comece a verter o vinho para o decantador;
    4. Depois coloque uma vela acesa ou uma fonte de luz junto do gargalho, certificando-se que não deita borras no decantador;
    5. Verta tudo de uma só vez, parando apenas quando aparecerem os primeiros resíduos no gargalo;
    6. Coloque a garrafa original vazia ao lado do decantador, de forma a que se possa identificar o vinho.

+ DICAS 

      • Não sendo obrigatório decantar todas as garrafas de vinho que consumir, é aconselhável sempre que existem partículas do depósito fazê-lo, porque ao mais pequeno movimento, o vinho puro vai misturar-se com a borra;
      • Somente abrir e retirar a rolha da garrafa não permite a respiração mais adequada do vinho, porque somente o líquido que se encontra próximo do gargalo é que está em contacto com o ar;
      • Uma técnica possível de decantação rápida: colocar um pano branco e fino sobre a abertura do decantador e verta posteriormente o vinho através do mesmo e, deverá parar quando surgirem os primeiros sinais de borra.
      • O vinho de qualidade continuará a desenvolver-se e a libertar-se dentro do copo, por isso, faça um brinde e boa degustação…

O Vinho da Península de Setúbal

A Península de Setúbal é uma região com características muito específicas e únicas. A norte tem o rio Tejo a oeste o Oceano Atlântico e a sul o rio Sado. Estando muito próximo de Lisboa, é uma região com grandes explorações vitícolas e marcada por um crescente turismo ligado ao Wine Tours.

Esta região apresenta dois tipos de paisagens:

      1. Nas encostas da Serra da Arrábida, que protege a vinha dos ares do oceano Atlântico, num seu relevo mais inclinado com as vinhas plantadas entre os 100 e os 500 metros e em solos argilo-calcários.
      2. Em terras planas, raramente ultrapassando os 150 metros de altura, com suaves inclinações e, com terrenos de solos de areia, mas perfeitamente adaptados à produção da uva de grande qualidade. Este tipo de de terra vitícola representa na região 80% do total da região. 

O Clima

O clima da Península de Setúbal, é uma região com um clima mediterrânico temperado com Verões quentes e secos e Invernos amenos e chuvosos. Devida à proximidade do mar, tem uma humidade relativa média anual que se situa entre os 75% a 80%.

Denominações de Origem

A região da Península de Setúbal compreende duas Denominações de Origem (Palmela e Setúbal) e a designação de vinhos regionais Península de Setúbal.

As Castas

A maioria dos vinhos da região utilizam a casta Castelão na sua composição. Esta casta é tradicional desta zona, sendo que a legislação para a produção de vinhos DO, também obriga à utilização de uma percentagem elevada de Castelão. Como exemplo o DO de Palmela deverá ser constituído por 66,7% desta casta. Por vezes, a Castelão é misturada com a casta Alfrocheiro ou Trincadeira.

As castas brancas que são dominantes na região são a Fernão Pires, a Arinto e Moscatel de Setúbal, que é utilizada em vinhos brancos e também nos vinhos generosos da Denominação de Origem de Setúbal.

Também as características mais distintivas dos novos vinhos da Península de Setúbal são os aromas florais nos brancos e os sabores suaves a especiarias e frutos silvestres nos tintos.

Produzido a partir das casas de Moscatel e Moscatel Roxo, o vinho generoso de Setúbal é um dos mais antigos e famosos vinhos mundiais.

O Moscatel de Setúbal, quando envelhecido em barricas de carvalho, torna-se um vinho generoso único e de excelente qualidade. Composto por um aroma muito intenso, a flores de laranjeira, com sabor meloso e cheio, que evolui com a idade para notas de frutos secos, passas e café.

Produzidos em pequena quantidade, os vinhos licorosos produzidos através da casta Moscatel Roxo têm características similares ao Moscatel de Setúbal, sendo mais finos e apresentando aromas e sabores muito complexos de laranja amarga, passas de uva, figos e avelãs.